
Sentinela
Data 15/01/2023 15:55:38 | Tópico: Poemas
| Como eu quisera ver o rosto do leitor animado ao ler Estas tão humildes linhas, momentaneamente ferozes Rompendo abrupto caminhos por pântanos desolados E, ao invés de páginas selvagens de um escuro veneno Transitar entre paradoxos espirituais de leitura lógica
Queria seduzi-los, não menos, a desconfiar que o livro Revele como salvá-los das emanações mortais da alma Talvez meu poema não deva ser lido por qualquer um Que receie adentar ao vento, por terras inexploradas Que fira almas tímidas inaptas a ler este fruto amargo
Nem espero olhos fixos, numa contemplação augusta Como se olha ao pai, que taciturno, espera o inverno Que venha frio e veloz, de algum ângulo do horizonte O pássaro mais velho na vanguarda, a liderar o bando Estala o bico, como fará a pessoa que não esteja feliz
Meus versos oscilam insensatos entre o som e a fúria Sonho e realidade mesclam-se como a água ao açúcar E são a sentinela melancólica que alertará de inimigos São o presságio que há um iceberg nessa figura calma Sugerindo guinar a filosofia a bombordo ou estibordo
Sou mais uma ave curiosa que esse capitão habilidoso Sou o lado invisível do triangulo insciente do caminho
|
|