
A Censura
Data 05/01/2023 16:26:37 | Tópico: Poemas
| Espetou uma faca de lâmina torcida Pela cega e afiada lei da mordaça Leu os direitos e rasgou-lhe as letras Que gozavam incautas a parca vida Numa página nua de certeza escassa Por não aceitar escritas ambidestras
Tentou o meliante usar a palavra dita Que lhe escorreu pelo distinto queixo Qual relógio derretido de certo pintor Essa imagem de justiça forte e erudita A fazer lembrar o querido poeta Aleixo Que cantava quadras a gosto e amor
Foi um espelho que se prostou ao juiz Homem directo e de sobeja sabedoria Nascido ignorante como nós mortais Que em sentença se fez gente infeliz Citou eloquente o que não defendia Dos textos sagrados das horas finais
O objecto inanimado chorou e sorriu Dobrou um esqueleto feito de papéis Contou os dias irados que o cercavam Enviou todos para o deus que os pariu Esvaziou o ser de tantos ossos e anéis E chamou os homens que o mataram
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