
SETE METAS
Data 16/12/2022 12:27:12 | Tópico: Sonetos
| SETE METAS
META/POEMA
intropoética A meta é a poesia, não o poema. O poema é resultado da poesia: O instante cujo encanto principia Vertido no sentido e seu fonema. O poema é onde a escrita mais s’extrema; É quanto de poesia eu traduzia No que desnecessário escreveria Com metro, ritmo, rima e até dilema… A escrita que é reescrita na leitura, Não só interpretada e assimilada Do poema sobre o poema que se poeta. Portanto, metapoema: Não procura Nem responde à questão especulada No arranjo de vocábulos do poeta… * * * META/LINGUAGEM
sublingual A meta é algo além; é projecção Do vir-a-ser do encanto que me inquieta N’uma verdade ainda analfabeta, Que apenas sentimento ou sensação. A linguagem permite-se expressão, Quando o verso subverte a sua meta: Mais do que outra mensagem, busca o poeta Chamar para as palavras atenção… A meta da linguagem na poesia Não é comunicarmos algo a alguém, Mas sim lhe transmitir o encantamento. Ao fim, metalinguagem: Haveria- De pôr beleza o quanto nos convém Na escrita deslumbrada do momento. * * * META/TEMA
anagramado A meta é solução, não um problema, Horizonte que o poeta olha profeta; O tema, a imensidão além dileta Onde a meta brilhante jaz qual gema; A meta se anagrama a ser o tema Do poema que a si mesmo tem por meta: O tema é tudo d’entre a meta e o poeta. A meta é tudo após escrito o poema. A meta e o tema, poético anagrama Que dá tanto objetivo quanto assunto Enquanto a meta ao tema se amalgama. Ou seja, metatema: Por que poeto? De quanto me rearranjo ou desconjunto, Para que em verso o espírito inquieto? * * * META/TEMPO
axiomático A meta não é fim em si apenas; É limite que busco a ver além. O tempo é tudo quanto se me obtém Pela transformação a duras penas. A meta não é tempo d’horas plenas Ou até mesmo um fim em si, porém, O tempo n’um só lapso se contém, Gerando dimensões bem mais amenas. À meta e ao tempo faz-se a realidade Enquanto um movimento continuado E poético do ser ao vir-a-ser Ou senão, metatempo: N’outra idade, Um tempo sem futuro nem passado Longo o bastante para eu m’esquecer. * * * META/POÉTICA
linearidade A meta é, quanto mais saber de si, O poeta saiba mais saber-se só; A poética é trazer de volta ao pó, Algum belo topônimo em tupi. A meta é a poesia que perdi Ao m’escrever, somente e só, por dó. Na poética, os versos vão por mó, De tanto remoídos dentro em mi. A meta da poética, outro rito Onde vão duas retas paralelas Indo de mais a menos infinito. Assim, metapoética: Pensamento Em razão da emoção do que é escrito Em forma de poesia em movimento. * * *
META/POIESE
invenção A meta é ver beleza na saudade: Belo é o que faz abrir os olhos; Navega o poeta, nau por entre abrolhos, Amarrado no mastro da verdade. A meta é ter desejo e liberdade: Vero é-o que me liberta de restolhos; Imprime o poema, tipos entre fólios, Acorrentado à rocha da vontade. A meta, bela e vera, outra obra prima S’encontre pelo ardor que à pena anima Na intenção de sentido dada ao poema.
No mais, metapoiese: Onde a invenção Renove toda a escrita na emoção E sempre surpreender seja seu lema.
* * *
META/MIMESE verossimilhança A meta, a imitação da realidade. No que, senão provável, bem possível. A meta, o extraordinário e até o incrível Como se fossem vidas de verdade. A mimese, profunda qualidade Que se procura na arte; no intangível A mimese, copiando o perceptível, Amplie toda a sensibilidade. Busca mimetizar tudo ao redor O poeta ao se compor belas mentiras Ou especular verdades sobre o amor. Também, metamimese: Ele embeleza Com descritivas penas suas liras, Mas em verdadeiríssima grandeza.
* * *
|
|