
Substantivo
Data 10/11/2022 14:59:17 | Tópico: Poemas
| Todo amor desta vida, um dia, terá um quê de ausência Uma dor peregrina que se avizinha na chegada do ocaso Que se precipita ao silenciar o coro das aves vespertinas Em tudo há uma perda, disse o tordo na última preamar E estas estão sempre à espreita, entre os hiatos da alma Ah, as coisas perdidas e o que nos leciona o nunca mais Até que a angústia anônima venha se inflamar de súbito Calando nosso peito com esse silêncio dos abandonados Então, só nos resta recolher cada resíduo de esperança Bebericar um whisky sem gelo e ver o brilho das estrelas A clarear a vazia e interminável estrada dentro da noite Deixar a dor crestar ao longo das horas até o sol chegar Pois o que há de sublime, virá bater à porta do novo dia Havemos de nos permitir cavalgar nos alazões prateados Nas areias molhadas da beira mar rumo a um amor maior Esse amor urgente, presença antiga, que brilha no olhar Sob o céu púrpura do amanhecer novo verso se escreve E substantivo que era, ora se faz esperança, verbo amar
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