
BIBLIOTHÈQUE EN FEU
Data 03/05/2008 18:26:58 | Tópico: Poemas -> Amor
| sei que algures dentro de nós existe uma biblioteca em prateleiras de mel que escorrem para quem amamos e de dentro das sedas que lambem os livros respiras tu em eternos sopros de dádiva e saber em cascos húmidos de humanidade
sei que algures dentro de nós existe uma biblioteca com livros livres de lombadas e paginação perto das memórias intemporais do amor em que se cedem cópulas alquímicas e misteriosas
sei que algures dentro de nós existe uma biblioteca em que se a cuidas, casa-alma, dita-la para mim e o graal surge, em forma de beijo imponente, cristalino, honesto e unicelular
(são as salivas dos livros que não li e me mostras os desejos de sorver o palato da tua biblioteca)
e sem falar mais de livros,
falemos de amor…
aquele tabu em que se diz nada se poder definir
pois eu defino o que sinto na saliva das palavras - simbiose comunicacional - que o amor sou eu em forma de nós como um copo de mar sem peixe como um copo de mar com peixe como mares sem ou com copos
porque o graal eu descobri é seda preta e distinta, no recolher sóbrio dos teus medos na conversão una das tuas expectativas e desejos
ensejo então fundir abraçar a morte física como gás que respiras
porque posso
porque sim
porque quero
- lembra-te que sou alquimista –
e da distância faço a cama de lavado e dos ossos obtenho abraços e de todas as bibliotecas de todas as existências em todos os mundos manda o amor
e o amor sou eu
e eu apanho a natureza no coração com uma rede indestrutível e sôfrego toco-te um dedo o dedo sensível com que intuis as coisas do mundo de todos os mundos
e se há mundos que desconheces, eu - alquimista-bibliotecário - dilacero o peito
rasgo-me ao meio
sou um corpo-casa da alma-biblioteca
lê o que quiseres
tirem-te o pão, tirem-te membros, tirem-te alegria, tirem-te o que amas, tirem-te a luz e a esperança, tirem-te o riso e aquilo a que chamas de vida, tirem-te. a ti.
façam o que fizerem, tirem-te o que te tirarem, nada disso conta pois vens a meu peito aberto e lês o que quiseres
…
e se nada nessas palavras te afagam encosta o teu rosto ao sangue quente do meu peito e segredar-te-ei que te amo
que tu és tu
e que és quem amo
livro de mim
livro de ti
livres em nós, no amor universal
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