
A escória da humanidade
Data 11/08/2022 19:12:41 | Tópico: Poemas -> Intervenção
| Gritam impropérios naquela rua E não conseguimos decifrar quem está lá Misturado ao lixo Vidas miseráveis jogadas ao relento Escondendo sob as folhas rasgadas de jornais velhos Gritarias por causa de algum corotinho Algazarras de trôpegos E assovio entre as fumaças. A lua se escondeu de vergonha Entre as árvores já picotadas Nos postes cartazes de propagandas antigas Enquanto um cachorro sarnento levanta suas patas Deixando um fedor ocre entre as catingas do lugar E alguns vermes observam silenciosamente As criaturas disputando um resto de pinga no corotinho. Foi assim que você aprendeu na escola Que não se deve importar tanto assim com o mundo O caos instalado na sociedade Que empurram com braços fortes Milhares de pessoas indefesas para a sarjeta Como se fossem a escória da humanidade Como se não houvesse ali uma alma a ser salva. Levantem-se e esbravejem Rasguem suas vestes já rotas pelo tempo Deixem que vejam os seus rostos machucados Marcados pelo abandono e desprezo Quem sabe assim eles não se esqueçam do menosprezo E percam o sono em suas mansões bem vigiadas Cercadas de seguranças por todo lado. Vão dizer que vocês não tem nada a falar Que reclamam de barriga cheia Quando eles se esbaldam nas suculentas porções E saboreiam vinhos importados Jogam o que sobram nos latões de lixo Que agora estão diante desses pobres coitados Que continuam brigando pelo corotinho de pinga. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
|
|