
A Solidão e o Cativeiro
Data 05/08/2022 18:48:59 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Não existe o amor ao próximo Que não seja interesse Dos olhos saem à falsa esperança De que haverá dias melhores. Sanguessugas a sugar até a última gota de sangue De almas desoladas na escuridão. Querem que acredite no amor E rasgam-me a alma na primeira esquina Tirando de mim a esperança de sorrir. A solidão é passageira E haverá um novo dia É o que me dizem querendo que acredite Na utopia. Existe um cativeiro a prender-me Na lúgubre escuridão do tempo. Tento soltar-me e não consigo E olhos ficam a espreitar-me como agulhas sanguinolentas. Soltem as amarras da hipocrisia De homens que desejam alcançar o cume da montanha. Não espere meu grito Pois, em silencio devo permanecer. Esse falso amor que me cerca Pede-me que acredite nas falácias que ouço diariamente. Esse amor é tão egoísta Que não se pode afirmar que seja amor Não dá forma que sempre acreditei. Com o passar dos dias Meus passos são trôpegos e indecisos Pois, a realidade é mais tenebrosa do que o sonho. A solidão é fera e ruge dentro de mim O cativeiro é horripilante e frio. Gotas odoríficas pingam incessantemente E surrupiam minha mente A ponto de me deixar louco. Minhas unhas já não existem Ficaram presas nas frestas da prisão Quando tentei me libertar. Tento ver a luz no fim do túnel Ela vagarosamente se dissipa E eu não sei se é à noite chegando com seus temores Ou minha visão que já está indo embora Sem dar-me outra chance. Então me sento à beira do poço E fecho os olhos. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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