
Aqui, vota-se Pra ter de volta um voto, “Dá cá, toma lá”, Que vergonha literária! Porém, é doloso votar por sermão E receber à contramão Todo o vento do porão. É preciso ter olhos no coração Pra votar com precisão Em quem merece a razão do teu voto. Aqui venho te dar a mão Pra amenizar o frio do vagão, E não questiones a razão Nem olhes pra mim com olhos de pavão. A retidão no dizer É ouvir a voz do coração É dar razão à razão Pra ausentar a desilusão E não alimentar a ilusão Nos dizeres em vão, Que no futuro não merecem perdão Nem calor dum abraço de compaixão. Dê razão as palavras, por ti, ditas Pra que o amanhã em que acreditas Não seja o mar da tua decepção. Na hora de dares teu voto, Use a razão E não a desvontade do teu coração, Pra que tuas pretensões não caiam em saco roto
Adelino Gomes-nhaca
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