
Em uma rua qualquer de algum lugar
Data 22/07/2022 12:11:51 | Tópico: Poemas -> Intervenção
| Por um instante os olhos se abriram Diante de si as imagens de um tempo remoto De alegria e sonhos a serem realizados Os olhos atentos buscavam entender Sabia a sua triste situação Deitado ali naquela sarjeta Tendo jornais velhos como cobertor E buscando no final do dia nas latas de lixo O seu alimento para sobreviver. A vida havia o empurrado para os becos Na companhia de outros infelizes Cuja vida não fazia mais sentido algum Apenas uma existência vazia Em um mundo contaminado pela dor E abandonado pela hipocrisia de seus cidadãos. Preferia viver entre as latas de lixo Em meio a sujeira das ruas Embrulhado nos jornais e cobertores velhos Do que suportar a arrogância de gente hipócritas Sentadas em suas cadeiras confortáveis Explorando mais um indigente jogado nas sarjetas. Mas nem sempre fora assim e isso o machucava sempre Ao lembrar sua vida na juventude A linda esposa, a família, o emprego Os finais de semana no lago, na grama a brincar Com sua linda filha pequena E, ao lembrar tudo isso, não continha suas lágrimas Que tentava esconder entre as barbas longas No rosto triste de uma saudade. A noite é fria e o vento silencioso empurra os jornais Tenta se agasalhar como pode entre os trapos E olha firme para o vidro de uma loja chique na esquina No reflexo do espelho vê a imagem que muda seu coração Do outro lado da rua duas mulheres Com olhares entre a dor e a esperança Faz com que seu coração quase deixe de bater. A sua linda garotinha cresceu E agora é uma jovem adolescente de rosto angelical Seus passos são vacilantes entre o desejo de abraçá-la Ou correr para bem longe Onde poderá esconder a sua tragédia. Sua esposa trás em si as marcas da dor Em um rosto marcado pelo abandono de quem amava Mas seu semblante também era de perdão Como se o tempo pudesse mudar aquela situação E tudo voltar ao normal outra vez. A jovem dá os passos decisivos em sua direção Não se importa com a sujeira e o mal cheiro do lixo Com sinceridade e lágrimas nos olhos Ela o abraça forte e sussurra em seus ouvidos: - Papai! Sob os olhares de seus colegas e transeuntes nas ruas Há uma comoção nos corações Que se alegram com esse reencontro. Então o barulho estridente de um carro em alta velocidade O faz acordar do sonho E contempla atormentado a sua miséria Deixa escapar lágrimas de seu rosto E pensa na sua família a muito tempo deixada para trás. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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