
Gatos
Data 02/05/2008 22:15:26 | Tópico: Poemas
| saíram noite a dentro para a madrugada, tais gatos, acasalados nos sonhos esmeralda brilhantes nos verdes olhos! lava, chama de fogueira, labareda em curto pavio, a enfrentar o frio ...
tinham por casa, apenas a abóbada estrelada. tinham nas almas, sons de flautas e harpas, ...sons finos, que ecoavam em miares felinos! traziam dorsos luzidios e negros e noites magoadas de tempos esperas verdes olhos círculos esferas ...
saíram para a madrugada sem nada mais que a certeza de que encontrariam juntos no dobrar das vagas, no dedilhar dorido d’uma guitarra, ou simplesmente no trinar de mil cigarras, notas ocultas e novas cartas, rotas a navegar.
saíram para a madrugada, levavam nas costas tal estivadores, sacas carregadas, pesadas de tantas dores. saíram para a madrugada, na senda da ilha encantada dos amores! *** estavam estirados, lado a lado, na praia deserta, perscrutando o ondular das vagas, no bater oprimido, aflito, belicoso e inquieto nas margens de pedra... as próprias margens!
estavam quedados, acalmados no manto marmoreado rosáceo de meia-lua, olhando a dança serena dos pontos vermelhos...
e, de seguida, cumprido o destino, fundidos os corpos, joelhos flectidos n'areia, ali instalados sob a abóbada, tal mágico nicho, uniram-se patas e, gatos de gatas, rezaram a prece na voz dos bichos ...
*** estavam assim (que eu bem os vi!), de pernas cruzadas, híbridos sentidos... eram budas, eram de bichos-almas ... estavam assim ... descalços em palmas ... sob a luz pontiaguda, da alvorada, na eterna magia de um do alvorecer...
estavam assim e, de repente, no céu abobado, uma nova estrela ou um planeta se quedou - - num raio refulgente toda a madrugada iluminou.
saíram para a noite pega à madrugada, em alquimia de mil palavras projectados nos brilhos frios de todas as águas ...
estavam ali ... que eu bem os vi! (felizes os gatos...)
Lx. 2006-10-02
|
|