
Nos porões
Data 12/07/2022 13:42:49 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Quem sabe um dia a história falará por mim Dir-se-á o quanto sofri Que nem sei explicar como não morri Nos frios porões destes navios Que transportaram-me para longe de minha terra E tiraram a minha liberdade. Vendido como escravo Para trabalhar a terra estranha Nos canaviais, Nas lavouras de algodão, Nas minas de ouro O meu couro é surrado E sou maltratado o tempo todo. O chicote nunca teve descanso Enquanto minhas costas estavam em pedaços Os gritos nunca foram ouvidos Nem os gemidos atendidos E não se sabe como sobrevivi nos porões Mas, antes não tivesse visto as florestas Nem pisado meus pés nas areias da praia. Nunca pararam para pensar que sou humano Que sinto dor Que tenho uma alma e que penso Nunca deixaram-me ser livre Para cultuar os meus deuses Mas me impuseram os seus que pregavam a misericórdia Quando o chicote era erguido até os céus Antes de descer fortemente em minhas costas. A dor é maior ainda Ao ouvir que não precisa reparação O olhar preconceituoso sobre os meus descendentes A exclusão social Que empurra o negro para longe Porque a sua pele é diferente Dessa gente Que só pensa em si mesma. Nos porões eu sofri a violência física Nas ruas meus irmãos sofre Violência psicológica Violência física Violência discriminatória Violência de todas as formas Como se ainda estivéssemos dentro dos porões! Basta de racismo! Chega de discriminação! Basta de intolerância! Deixem-nos sairmos dos porões da escravidão! Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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