
Resposta às tuas mortes
Data 18/06/2022 21:58:10 | Tópico: Poemas
| “ Morre-se de tanta coisa nessa vida que não chegariam mil vidas para se morrer de tudo. Morre-se de esquecimento de angústia de dor de saudade de amor... Morre-se de espanto morre-se de silêncio morre-se num canto sem ninguém se aperceber morre-se na rua com todos a ver. E morre-se aos poucos! Todos os dias um pouco mais quando queremos agarrar as gotas daquilo que já passou quando pretendemos segurar entre mãos o pouco céu que já foi nosso. Chamam-se loucos às pessoas que assim morrem ou pacientes (sei lá) porque exige coragem para se morrer assim como se todos os dias arrancassem um pouco à gente como se todos os dias tu viesses pé ante pé, silente e me arrancasses um pedaço de mim! “
ressuscita-se quando aquele sorriso de filho nos envaidece
rejuvenesce-se em cada gota transformada em brilho depois das tempestades
enverdece-se nas manhãs gordas de carinho
amanhece-se quando o amor se barra no pão e o a café é adocicado pelas gargalhadas em comunhão
refloresce-se a cada vontade abrigada nas teceduras dos nossos delírios
enverdeja-se quando os quatro braços amantilham os nossos segredos mais íntimos
é verdade … que a precipitação dos minutos nos envelhece como a madeira de um barco mas jamais iremos ao fundo quando fazemos uso do nosso coração para suster um mundo sobre o nosso peito
falo de um filho de um amante de um amigo que procura mais que um ombro
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