
Tristeza
Data 02/05/2008 17:07:27 | Tópico: Poemas -> Tristeza
| Há dias em que uma tristeza do tamanho do mundo Invade o espírito e se instala como um longo feixe de nuvens baixas Chove, não chove, chove, não chove E cada segundo é um suplício e uma tortura
O espírito olha para cima, e procura a direcção do Sol Mas todo o céu está encoberto e o espírito perdeu a orientação Não sabe se olha para o céu, ou para o fundo de um lago em que um falso céu se reflecte E espera. E aguenta. E conta até mil. Até dez mil. Até um milhão. Conta infinitamente à espera que algo mude À espera que a tristeza desabe ou, então, que um sol poderoso irrompa pelo dia.
Numa voz murmurada, voltada para dentro, chama. E não compreende que perdeu a capacidade de ouvir e pressentir e, até, de ver. Sabe que estão perto, e que ele é que não os consegue percepcionar.
Então, chama por ela. Mas os céus mantêm-se plúmbeos. O vento quase não sopra. E a tristeza, essa, não se dissipa.
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