
Desordenada.mente
Data 07/06/2022 14:15:53 | Tópico: Poemas
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Em boa verdade eu não soube decifrar os signos que me enviavas numa flor ou numa pedra ou num montículo de sementes
de onde destacavas aquela que _ dizias_ talvez fosse minha um dia.
Dizias-me palavras leves
[ às vezes lamentos de violinos ]
e os meus olhos despidos a entrarem crédulos dentro do teu tempo.
O teu tempo. Oculto num labirinto de fascínios e credos transitórios
cárcere de medos e silêncios a estruturarem (des)afetos.
Sei agora de um equilíbrio volátil consumido em marés vazias.
Quando deslizavas as mãos pelas paredes comprimidas por uma imensidão de verbos que te devoravam o passado
e te asfixiavam o futuro.
E tudo se atravessa nesta folha morta nestes parágrafos sedentos da intimidade de uma crença construída em janelas viradas à claridade do Universo.
Este poema poderia ser uma prece.
Porque este poema é como um rio a fluir desordenadamente é a fuga para além do olhar para além do ruído que corrói os lugares e os nomes e a verdade do teu mundo intocável onde o meu coração permanece.
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