
Compreendi
Data 03/06/2022 23:51:38 | Tópico: Poemas
| Com a inclusão deste poema (poderia ter sido outro) terminei e levei à edição meu segundo livro. Chama-se "As Marcas do Tempo". Se algum leitor interessar-se em obter um exemplar pode acessar o site loja da editora clicando no título do livro.
Entendi bem anteontem que a maldade ainda existe Pensei que houvesse sido abolida dois mil anos atrás Quando o vento sul soprava leve o trigal na planície Alegrado pela ventura de ser o alimento e a miração Quão feliz era observar as hastes dobrarem-se lentas O tempo tragou o prelúdio e a sublimidade da dança Das hastes de trigo, douradas, ceifadas dia após dia E mais que eu fosse lúcido entre o tumulto noturno Era bom rir e cantar enquanto do céu vertia a chuva Crianças deste século, que fazes? Cadê os tambores Os folguedos inocentes, o taco, o carrinho de rolimã Cadê teus valores familiares e sólidos, cadê crianças Não há mais tempo para ser criança, soldado virtual A vida ainda está lá, mas também estão os demônios O pó imaculadamente níveo nada tem de imaculado Seu veneno finge-se de mel, deixa o sangue inquieto Eu olho os novos dias, cheio de melancolia e aflição Mas alguns dirão tudo isso é coisa do tempo natural É o novo normal: ao sair cuidado com a bala perdida
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