
De mãos dadas com a Morte
Data 18/05/2022 17:36:15 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| O sonho de ontem já não existe mais Desfeito ele foi pelo tempo O tempo que não está sozinho Que não para nem por um minuto Que anda de mãos dada com a Morte Sorrindo à espreita por onde ando. Alguém pergunta a minha idade O ano em que nasci Como se isso fosse assim tão importante E eu nem me lembro Da metade das coisas que aconteceram ontem Porque a minha memória Já não consegue armazenar tantas coisas assim. Encosto minha cabeça no travesseiro Tenho vontade ficar deitado por muito tempo E o tempo me escorre pelos dedos Enquanto uma voz ecoa dentro de mim Dizendo que não tenho tempo para ficar deitado O trabalho me aguarda Os problemas precisam ser resolvidos E eu tenho mais uma vez que levantar-me e agir. Quem sou eu para questionar tudo isso Olhar as misérias da humanidade E clamar contra tudo o que acontece? Quem pode fazer alguma coisa E a pergunta melhor seria o contrário Quem quer fazer alguma coisa que não seja passar o tempo? Olhe para as paisagens Notou como elas mudaram de ontem para hoje? Com certeza não Quem observa as mínimas coisas Que acontecem cotidianamente ao nosso redor? E ele continua impassível Com seu olhar altivo, senhor de si, ele sorri O tempo que tudo revela e nada esclarece Está de mãos dadas com a Morte E ela sabe exatamente a hora que chegou o fim do tempo E sabe também que nada pode ser feito para mudar isso. Viro para o lado e tento dormir O meu tempo de divagações acabou Se quiser me levar fique a vontade Não tenho nenhum tempo a perder. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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