
Eterno
Data 13/05/2022 03:52:34 | Tópico: Poemas
| O poeta não morrerá ao escrever na poesia o que eternize Um misto de luz e dor, uma esperança áspera, uma espera Com a doçura do som de águas dos rios de fluida infância Seja sua voz rouca ou de seda, não se acolherá no oblívio Que tudo que se escreve é material e ainda assim é poesia
É que a palavra se lança das bocas insanas e pousa lúcida Após o voo livre em espiral, calma na alma plena de verão Essa versão platinada da vida que acolhemos no coração Desse voo solo descobrimos que a vida é uma bela mulher A nos mandar beijos quando a noite espalha o véu no céu
A vida é a imagem criada num canto solitário da memória E vai orvalhando a madrugada com os perfumes de flores É a fantasia silenciosa de pipas a voar num céu sem vento Um brilho cintilante de copos detrás das vidraças do bar Mesmo que aqui fora sinta-se só a fumaça de óleo diesel
Entre o rubro profano da melancolia de mares interiores Somente deixarei de viver a vida quando o amor se acabe Não o do qual se fala, hipocritamente, cheio de pudores Mas o que resta em nós como flor em meio aos incêndios E ainda assim respira, altivo, entre sentimentos farelados
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