
Enquanto dormia
Data 29/04/2022 22:51:24 | Tópico: Poemas -> Fantasia
| Cansado da caminhada Deixei-me cair na sombra da frondosa árvore Refúgio para os viajantes nas tardes de calor; Em mim havia a esperança De alcançar a flor levada pelo vento Onde cuidava eu estar o amor. O vento suave amenizava a fadiga E o cansaço levou-me ao sono Que logo roubou a minha visão; Deitei-me na relva sob a árvore E observei as borboletas a voarem Formando o que parecia ser um coração. Se não tivesse dormido aquela tarde Teria visto o que aconteceu Mas nunca saberei, de fato, toda história; Apenas levo no pensamento O que não consigo decifrar se foi sonho Ou realidade o que tenho na memória. Mal tinha fechado os olhos Um casal passou por ali E em seus olhos havia um ar de curiosidade; Desejava encontrar alguém Que pudesse ser como um filho E seu nome levasse para a posteridade. Entre eles houve um breve diálogo Se me acordava e convidava Para ser o filho adotivo desejado; Seria alguém para conversar Ensinar lições preciosas E, no coração deles, seria amado. No fundo mesmo o que queriam Era alguém que pudesse herdar o que tinham Sua fortuna deixaria nesta vida; Eu nem nos melhores sonhos poderia imaginar Que o casal que me olhava Pudesse mudar minha situação sofrida. Enquanto dormia o sono dos anjos A riqueza bateu a minha porta Mas não quis tirar-me do descanso; Então o casal olhou para o dormente E continuaram a sua trajetória Deixando-me sob o tempo suave e manso. O sol agora já começava a declinar-se Suavemente no horizonte Colorindo de cores vibrantes o céu no verão; E eu dormindo o sono dos justos Sonhando com um amor que se foi Deixando em frangalhos o meu pobre coração. Então surge na estrada A moça mais linda que poderia existir De beleza tão ímpar como a primavera; Ela para diante do jovem a dormir Por um instante mágico o contempla Sem saber que ele o amor a tanto tempo espera. Ela pensa em roubar-lhe um beijo E se dobra diante de seu rosto Mas, como poderia, de tão belo sono acordar-lhe; Parou por um instante Refletiu sobre a sua vida E espantou um mosquito que tentava perturbar-lhe. Não era justo interromper Tão magnífico sono como aquele O certo era ir embora e enfrentar o calor; Ela se foi e eu não percebi Que aquela donzela tinha o que procurava O mais puro e verdadeiro amor. Enquanto dormia o sono de descanso O amor bateu a minha porta E não quis interromper a minha sonolência; Virei-me para o lado confortavelmente E viajava em meus sonhos Sem saber que perdia muito na minha inocência. Foi então que apareceu o malfeitor Vinha fugindo de algum lugar E não tinha nada de bom em seu coração; Ao me ver ali dormindo Pensou em roubar-me o que tivesse de valor Ir embora com meus recursos e deixar-me na mão. Arrancou a sua faca Caso eu tivesse alguma reação E nos bolsos tentou ver o que havia; Revirei-me na relva e o assustei Olhando para os lados se retirou E eu dormindo nem sabia o que comigo acontecia. Enquanto dormia o sono da liberdade A morte passou tão perto de mim Que poderia ter profundamente me assustado; Mas estava tão entregue ao sono Que não percebi nada disso E, por muito tempo, permaneci ali deitado. O sol já havia se escondido Quando acordei para a vida E percebi que precisava continuar; Depois de sacudir a poeira Não sabia eu nada do que aconteceu E, na estrada a luz das estrelas, pus-me a caminhar. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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