
é outra a paisagem
Data 02/05/2008 07:37:13 | Tópico: Poemas -> Surrealistas
| é outra a paisagem onde repousam os teus olhos ao fim da tarde e outra a vontade que escuta os murmúrios do vento por entre os caniçais.
olho esta atenta a compota descansa sobre a mesa, ‘inda aberta, a toalha em renda antiga branca a eira e o linho em braçados d’anil o jarro cheio [o cheiro … o cheiro] um palmo de água parada, inodora, incolor e o puro a transbordar dalgum lugar.
sento-me flor hipnotizada seduzida em forma impura de mim própria de sentidos alheios em ondas largas, balanço a cadeira, os bolsos cheios de sonhos em utopia de cor turquesa embalo-me no balanceamento das searas líquidas e das ancas (as tuas mãos aqui e o vento quente nos meus seios). a ceifa pendular a cabeça descai na gota a escorrer a face oculta oiço os batuques os sons provindos das tabicas as tairocas varinas as saias rodadas as saias de chita atadas por entre pernas das campesinas.
é outra a paisagem
inclino-me lenta por sobre a tua boca equina. sorvo-a gomo a gomo numa bebedeira de dor laranja pousada sobre a mesa espada de espadachim bebo-a na sede de ter sede de ti. e tu de mim…
amarelada na solidão tecida a toalha chama a luz do sol e dança…
é outra a paisagem em que t’afundas em lagoas de carne ausente.
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