
Engano
Data 19/04/2022 17:51:30 | Tópico: Poemas
| É a última vez trago à tua presença meus poemas descalços Tal última homenagem às frases interrompidas fora de hora À luz que a tua fuga apagou com vocábulos pálidos de medo O poeta, tolice, que esperava a lucidez foi deixado à espera
Sem poder recriar a aurora para brilhar infinita no teu olhar Restou na distância à deriva, sem terçar a alegria das tardes Sem o amor que desejava plantar no terreno fértil do futuro Aonde reside todo o bem daqueles que ainda têm esperança
Mas escolhestes melancolia, a angústia do que não se realizará Eu queria que voasses nas asas da ave feita de sonho e de luz Que seguisses sobre campos de flores perfumados de ternura Um mundo que não coubesse os cinzas do aço e do concreto
Egoísta escolhestes, no entanto, nos legar caminho do silêncio A ausência de noites sem desejo que sopra no vento haragano Para nos quedarmos nos porões da vida com lírios de saudade Qual se fosse essa a única medida que restasse a todos poetas
Não farás com que este poeta te esqueça no tempo implacável Apenas tu viverás na sombra noturna crendo acostumar ser só Oblivias que a solidão é viva e cresce a cada palavra não escrita Um dia a ternura negada silenciará o amor, mas não finda a dor
Homenagem àquela que por medo, pela ansiedade que a impediu de viver um carinho ainda que distante e esperar por um futuro melhor, decidiu acreditar que já acostumou-se a ser só, mas esqueceu que a solidão cresce a cada silêncio até, um dia, nos sufocar.
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