
O lobo do homem
Data 25/03/2022 23:22:47 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Houve um momento Que parei para pensar em tudo isso A existência humana que chama nossa atenção Eu vejo um gato a dormir o dia inteiro E imagino a sua felicidade em não ter nada para pensar Enquanto nós nos matamos Com tantas preocupações. Um corpo que cai Um criminoso que ronda a nossa vida E somos tão imprudentes Invisíveis Que não notamos nada além do que está diante de nós Porque o infeliz também é invisível aos nossos olhos. O mundo é um lugar perigoso Alguém que diz ser meu amigo Pode me trair a qualquer momento E eu nem mesmo vou imaginar isso Porque confio cegamente nos meus amigos. Agora ando pelas ruas desertas de uma cidade Não vejo nada além confusão Um corre-corre frenético que não faz sentido algum E me pergunto por que as pessoas agem assim? Observo um formigueiro Acabei de pisá-lo para ver o desespero das formigas E as vejo mais organizadas do que nós. Há um mundo lá fora que não queria conhecer Nele falta a sensibilidade de pessoas boas E sobra a desigualdade Porque quem tem muito sempre quer mais E exploram os que já sofrem sem ter quase nada. Abra o seu coração Não apenas os seus olhos e veja A realidade do mundo que nos cerca. O que podemos fazer para que o amanhã não seja tão ruim Que não desejaríamos nele estar. Faça silêncio e ouça as vozes dos oprimidos Os gemidos pelas madrugadas frias no inverno Sinta o medo nos olhos de quem acaba de ser assaltado Por um meliante que não poupa a vida de ninguém. Eu até gostaria de não ficar aqui lamentando Quase ninguém liga mesmo para isso Cada um faz o que acha melhor E não se importa nada com os outros Porque o homem é o lobo do homem E irá se digladiar até o fim Porque todos querem a mesma coisa E nem todas as coisas estão ao alcance de todos. Você me pede para parar Não quer mais ouvir essa ladainha Sou tão pessimista que o mundo parece não valer nada Só não percebem que apenas falo a verdade Que precisamos refletir sobre nossas ações Para não cometermos os mesmos erros do passado. Mas, isso não importa para a maioria Eles seguem como rebanhos a sua vida monótona Amam a zona de conforto e abraçam a mediocridade E não podemos fazer nada contra isso. Erga sua cabeça e veja além do horizonte Não viva com os olhos vedados para sempre Se ainda há uma luz no horizonte Que caminhemos para lá Quem sabe assim ainda haja esperança. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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