
O Homem De Lã
Data 16/03/2022 16:38:52 | Tópico: Poemas
| E na cidade de céu em chamas Uma orquídea vicejou no asfalto E o que era semelhante ao vidro Simplesmente não se quebrou.
Lembranças de antanho de algo que não se viveu.
Quando passou aquele cometa Algumas senhoras caíram de joelhos E pediram aos deuses, em suas orações, Que o trigo não fosse mais feito de pão.
E os cabelos do príncipe, Não o de Maquiavel, Nem o de Exupéry, Mas do Enola Gay, Lembraram à atmosfera do porvir do aloirado cogumelo que nunca foi azul.
Quem se lembra da menina do diário nazista? Quem, além de mim, lamentou a morte de Brecht? Nenhum de Nós cantou David Bowie Quando o Biquíni era Cavadão.
O homem de lã parecia ao rei nu. Porém todas as crianças estavam mortas.
Os carros pararam na contramão. Os pássaros voaram até morrer. As mãos fizeram orações E no céu um novo sol foi impedido De conceber um novo aeon.
Não pude conter o meu grito de horror. Não pude sequer segurar com as mãos. Tentei sorrir, mas de tristeza eu chorei.
E o homem de lã apertou o botão. A cidade de céu em chamas caiu E a única orquídea que brotou no asfalto morreu Negando ao futuro o legado de nossa existência.
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