
Poema de Ninguém
Data 14/03/2022 15:09:46 | Tópico: Poemas
| Quanta falta que você me faz. Que saudade danada dos rios De risos, dos sonhos sonhados E não vividos pelo simples motivo Que nos tocou os dedos do Destino E beijou-nos os lábios do Tempo fugaz!
Parece que eu sinto os abraços não dados Os beijos calados que se perderam no espaço De um átimo, numa fração de apenas um segundo Onde todo amor contido no mundo cabia dentro de nós De vós, do eu, do meu, do teu, do todo e de tudo.
Ah, Como é sacana aquela gigante aranha Que vai tecendo dia a dia a nossa melancolia Que vai crescendo, crescendo e vira montanha Estranha de um tecido triste vestida de poesia!
O que fazer? Morrer vivo ou viver morrendo? Assistir as maranhas das manhãs e as manhas Ciganas do espetáculo do alvorecer sem te ter? Do que me adianta se a felicidade que era tanta ( ou tantã?) Agora não passa de um planta que não quer nascer?
Murcharam as rosas e morreram as margaridas imarcescíveis. Não amarelece mais o meu sol Foram se embora as cotovias, calou-se o rouxinol, E o que era vida agora não passa de chagas e feridas.
Que quebrem-se as liras, as rimas ricas e líricas! Que morra a míngua a língua do pequeno poeta! Que as minhas linhas sejam todas sacanas e satíricas! Que os meta-poemas se tornem os meus poemas-metas!
Blém, blém, blém. Tocaram os sinos de Belém. Nasceu o menino que, dizem, é o pai do Homem. Uma pena que a pena do poeta não mata a fome. Blém, blém, blém! Não mata a fome de Ninguém.
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