
Poema da Saudade
Data 01/03/2022 22:57:20 | Tópico: Poemas
| De onde venho não há primaveras floridas Só há as noites eternas e suas longas mãos O vento ronda à minha janela como soluço Um alarido para que eu esqueça quem sou Lá fora, poentes dolorosos, nessa planície Onde, cotidianamente, morro com os dias Quem me invoca o nome além dos mortos? Tão sós, contemplam o horizonte pelo mar A garganta se cala entre mil interrogações Esta terra de frutos pálidos não é a minha Nem estes regatos são traços de meus rios Ouço línguas estranhas e não compreendo A névoa sepulta o ouro de velhas canções Recolho-me no luto, para não enlouquecer O teu semblante eterno, não me abandona Sempre me fitas, silente, um cristal no céu Mas por mais que te veja, não te encontro Assim a vida segue entre retornos infinitos
Escrito em L.A. Califórnia, em 1979 achado entre fragmentos de papéis caídos numa fresta da minha escrivaninha, alguns trechos estavam ilegíveis e restaurei entre a memória e a lógica...
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