
Marraquexe
Data 23/02/2022 23:21:02 | Tópico: Poemas
| Eu canto o instante já, aqui e agora. Eu verso a vida, a morte, até cerveja. Eu tenho boca boa que me beija, Caneta, prato, garfo, chá, colher...
Em casa tenho gado e hortaliças; Capado bom, capim- gordura, leite... Pomar, galinha, linho, mel, azeite E vinho vindo lá de Marraquexe.
Eu sonho a vida como sonha um peixe No fundo do oceano da lagoa. Eu sou assim, eu sou quem não conhece Tristeza nessa terra grande e boa.
O sol me aquenta a tarde, a noite vejo O céu coberto em brumas, estrelado; O gado já pastando no relvado... Viver feliz assim jamais tem preço.
O meu semblante calmo, frio e teso Reflete minha calma transparente. Eu vou de galho em galho e, de repente, Eu faço um verso e conto meu passado.
Talvez eu seja errado em certo ponto. O ponto certo é aquele que eu descubro. Vasculho ponte, muro, cemitério... Aguardo o sol se pôr detrás do monte.
Se acaso sonho um sonho diferente, No ocaso dessa vida tão medonha, Eu peço a Deus que vista o meu presente Do sonho que o futuro sempre sonha.
Aguardo meu destino, minha sorte. A cada dia faço a despedida. Ao Céu eu agradeço o dom da vida E peço a Deus que seja boa... A morte.
Gyl Ferrys
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