
Sem flores
Data 22/02/2022 05:04:23 | Tópico: Poemas
| Há no ar um quê de espanto nas linhas do teu rosto Já não te é tão simples sorrir como sorrias entre nós Quando o silêncio dava uma pausa no ruído da cama Eu, mendigo, pedia tua atenção, me querias o corpo A vizinhança, naquele pequeno lugar, nos espreitava Ao passo que eu cuidava de crisântemos na varanda Talvez eu soubesse que não foi amor, mas só fictício Mas no cintilar do luar, trazia estrelas ao teu sorriso Eu te supunha tão especial e hoje nada nos distingue Mendigas minha emoção, eu não a tenho, sei que dói Mas tu não viste, na tua vez, quanto me doeu um dia Fomos anônimos na multidão, nunca nos pertencemos O rastro de nossos passos na areia a maré já apagou Do pouco que restou, só essa foto, que tu guardaste A fingir um fluído imaterial, um remedo de esperança Tão imaterial, que nesta vida, jamais irá se condensar O acaso, um dia, me revelou que teu querer era irreal E eu aceitei a vida assim, nem sei a que te abri a porta Nem aspiro mais a ser herói de nada, ou te fazer feliz É tua vez de aceitar, não há luar, não há flores a cuidar
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