
Olhos
Data 14/02/2022 03:51:40 | Tópico: Poemas
| Sento-me à mesa e curvo-me ao amor, às miragens e aos desertos Busco a verdade em poucos gestos, a dor e a estrela como irmãs Entrego as palavras corroídas pela ilusão e pelo espírito em fogo Aceno ao mundo com breves recordações, todas alheias à razão Eu fiz-me entregar à cegueira para poder ver com mais perfeição E, na imensidão do nada, foi onde pude ver a eternidade exposta
Uma canção como lamento vem da janela, é chegada a primavera Sei que nesta viagem a morte pode embarcar na próxima estação Como precaução saltarei uma antes, pois não há pureza absoluta Aceite o olimpo os tantos poetas que saltaram na estação errada Fazendo poemas sobre o que nunca tocaram, sobre flores mortas Se errei foi ser tal a jovem que quer a virgindade, mas dorme nua
Tive olhos doces a me seduzir, mas sei que o mel pode ser veneno Aguçaram-me os sentidos as bocas onde brilha o vermelho batom Em todos acenos, braços estendidos, fugi por saber-lhe as presas Mas vi a inocência residir n’outros belos olhos, banhados em azul Sem tramas ou linguajar cáusticos, tua canção promete surpresa Curvo-me para beijar-te os pés, pois falas a língua dos menestréis
Curvo-me com humildade, pois sei que muitas coisas ainda ignoro Vergo-me à divina existência da mulher, condenação dos incautos
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