Essência

Data 08/12/2021 23:24:47 | Tópico: Poemas

A solidão da noite é sinal que as sombras se multiplicam
O silêncio justifica a noite calada, num vaivém disperso
Eu a vi por detrás da clara máscara, armada para a vida
Parecia passear pela rua adormecida, a desafiar o vazio
A chuva serena marcava de finas linhas a minha vidraça
Como preciosos pontos de prata, que flutuavam pelo ar
Ela seguia majestosa meio as últimas figuras sonâmbulas
Seus cabelos balançavam entre as ramagens das árvores
Imaginava quão formosa seria sua boca ou doce sua voz
No brilho de seus olhos de esmeralda a poesia se ilumina
Ao longe, ouço os últimos silvos dos carros pela estrada
Na quietude amarga, eu queria recusar-lhe o movimento
Ou saber alguma fórmula, para não perdê-la na distância
Foi assim que me fiz pássaro a incendiar no frio da noite
Em toda timidez, asas abertas, alcancei-a num momento
Contei-lhe da energia fluindo, apenas com sua passagem
Quem sabe foi o cântico do vento ou o rumor da poesia
Ela olhou para mim e a vi sorrir interrompendo sua fuga
Eu a despi com o olhar, ela me despiu de todas palavras
Nos despimos de gestos e fomos essência até o sol raiar



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