
Há um lobo dentro de mim
Data 20/10/2021 23:15:28 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Sozinho em meio a multidão O paradoxo de uma alma angustiada Sem saber a razão de sua dor Se tudo a sua volta parece estar normal Mas, parece não estar. Um medo que corrói a alma Sem ter uma razão aparente para tal medo A sombra que lentamente ofusca o sol Na existência perturbada da solidão Que atormenta o ser humano. Busco respostas que não existem Para as indagações que permeiam os pensamentos Nos momentos obscuros da solidão Em um canto qualquer pode até apalpá-la Como se tivesse existência própria. O mundo é um caos total Cheio de violências e crueldades Onde quase ninguém se importa com o outro Egoístas que são Pensam cada um em si mesmos. E nem adianta eu reclamar de tudo isso Se nem eu mesmo presto atenção Na verdade pouco me importo com as dores Com as lástimas de mendigos e desafortunados Que perambulam pelas terras desoladas da existência. Há um lobo dentro de mim Carnívoro que devora os sentimentos Com suas garras afiadas sangram o profundo coração Que até deseja ser livre um dia Sem saber que tudo não passa de sonhos perdidos. No vale mais profundo da alma Você caminha sozinho Vê as sombras se avolumando cada vez mais E a escuridão tomando forma assustadoramente Quando você só desejava estar em paz. Paz é para os tolos e as crianças Brada uma voz no interior do subconsciente Se tudo parece assim tão perdido Por que choras às escondidas Quando poderia gritar para o mundo inteiro? Nada é tão simples como parece ser Nem tudo funciona como gostaria que fosse Não há voz de comando que possa mudar A situação medíocre de quem vive na solidão Se o mundo é apenas uma caixa escura. O que faço agora é soltar os demônios Que aprisionam os sentimentos Brincam de esconde-esconde no secreto Quando poderia deixar tudo como era antes Uma vida totalmente sem direção. O dia hoje está tão cinzento Como se tudo tivesse chegado ao fim Uma tristeza tão sentida aperta o coração Como se fosse uma previsão de alguma calamidade Anunciada nos ouvidos da eternidade. Mas se tudo não passa de uma dolorosa ilusão Por que devo me preocupar? Apenas sigo meu caminho na esperança De que o amanhã ainda existirá Quando abrir os meus olhos pela manhã. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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