
Infinita Mutação (Na cauda do cometa)
Data 14/10/2021 18:50:08 | Tópico: Poemas
| Quando te fostes, de meus olhos, correu um rio de lágrimas Minha imagem, única ao espelho, confirmou a minha solidão Uma descoberta inútil, o silêncio já me contara da tua partida Olho a vastidão dos lençóis onde se celebrou outra revoada Meus pássaros selvagens a visitar teu corpo alvadio todo nu Para reconhecer que tua parte de mim é mais que jamais fui Olho à janela e as nuvens também choram lágrimas saudosas De um tempo que éramos tu e eu, um tempo que fomos nós Essa lembrança me fere na alma, onde resta chaga fremente Que se estende até a linha do horizonte, onde imagino estás Eram sonhos, tantos sonhos e todos se perderam no abismo Quando tiveste que afastar a máscara e mostrar tuas raízes Foi então que a verdade prevaleceu e vi que eu não era feliz Palavras incandescentes que se tornaram silêncios obscuros O vinho se fez em sangue, mas não fará o meu tinteiro secar Nas linhas do poema, assinalarei a saída de mais um labirinto É minha essência domar o cometa e ser uma infinita mutação
San Francisco (CA), 1976
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