
Outubro
Data 08/10/2021 19:45:56 | Tópico: Poemas
| Desde os mais ácidos tempos de pós abril Quando escrevi com os olhos em lágrimas Estes poemas que emergem tão soturnos Nestas noites de insônia do meu cotidiano Que o luzeiro urbano encobriu as estrelas De qual brilho são só lamentos silenciosos Nuvens como esculturas singram ao vento Dando ares de estar ao alcance das mãos Porém efêmeras e distantes como o sonho Que se faz sonhar e que não se concretiza
Outro outubro inicia nesta estrada só de ida Em que tudo parecia pequeno e intemporal Mas afinal houve a tua chegada inesperada Ao tocares meu coração, com um só gesto Tornastes dias cinzas em tardes ensolaradas Forjando um sentimento muito maior que eu Que prospera não devagar como a sequoia Mas intenso e arrebatador qual um tornado Mostrastes que tu és o meu lugar no mundo E tua ausência um amargo no fundo da alma
Então escrevo porque és encanto e doçura Estou só, mas não sinto que estou sozinho Estou só, contudo nunca eu estive tão vivo A noite, companheira de prantos e estrelas, Não mais me precipita na escura melancolia Penso nos teus olhos, sou ora teu guerreiro Sou teu amado, sou quem te ama, teu amor Sou o oleiro a esculpir o barro da existência Predizemos que nos pertencemos, sem dizer Sentados à beira mar, o sol se pondo, rubro
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