
Eu tentei viver a vida com sonhos
Data 12/09/2021 18:02:23 | Tópico: Poemas -> Introspecção
| Eu nunca soube lidar com essa solidão Nem mesmo nos momentos De eterna alegria de dias inteiros Era como se faltasse alguma coisa Que deveria completar toda essa existência E as perguntas borbulhavam em minha mente Como se fora sopas de letrinhas E me pergunto: O que faço aqui neste tempo tão sombrio da humanidade? Eu deveria olhar para as flores do caminho Ou os pássaros que cantam E depois voam com o meu barulho Eles sempre seguem o destino do vento Ou se escondem nos seus ninhos Para não serem pegos nos laços E arapucas armadas secretamente Alguns até mesmo pousam nos espantalhos E observam os insetos devorando as lavouras. Eu poderia esquecer as tristes lembranças Do tempo perdido em rodas de brincadeiras Que não faziam sentidos para mim E questiono a forma que era influenciado Pelas palavras empolgantes dos colegas Ou pela vontade e esperança de estar perto dela Da musa que inspirava minhas canções Em tempo que não existem mais. Eu só não me lembro agora dos sorrisos Das gargalhadas que o tempo levou para longe Porque não foram assim tão importantes Mas, lembro-me das lágrimas que escorreram No secreto de um quarto solitário Quando não sentia o calor do abraço da minha mãe. Eu tentei viver a vida com sonhos E utopias que nunca se realizaram Porque desejava conquistar o mundo E ninguém se importava com isso E ao descobrir que estava sozinho Deixei de acreditar que alguma coisa pudesse fazer sentido Se tudo não passava de uma eterna frustração. Eu sonhei com um mundo tão perfeito Que me esqueci das injustiças humanas Arraigadas em corações insensíveis Que menosprezam as dores alheias e destroem as alegrias Que invejam as conquistas dos outros E não valorizam as vitórias de quem tanto lutou. Eu só não me deixei ser abatido Por todas as mazelas do mundo que me cercavam Porque tive em mim um coração otimista E consegui ver uma fagulha de esperança Da bondade divina no coração humano E essa chama alimentou meus sonhos De viver uma vida diferente em meio a essa sociedade. Eu prezo agora pela paz que conquistei Ao deixar a vida seguir o seu curso Sem cobranças, sem constrangimentos Deixando que cada um siga o seu caminho e suas escolhas E enfrentem o seu próprio juízo. Eu sou feliz com o que conquistei Com a liberdade das palavras que voam os espaços Que vão onde eu jamais poderia ir Que alegram os corações que eu não conheço Mas que conforto ou desperto quando falo O que faz sentido para mim. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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