
A silenciosa madrugada da humanidade
Data 08/09/2021 18:08:05 | Tópico: Poemas -> Intervenção
| Sussurros pelas vielas Cheiro de lixo putrefato Caminhantes solitários tentando se esconder do frio Tropeçando nos ratos que correm assustados Sem saberem ao certo o que os assustaram. Apenas uma ilusão corriqueira De larápios que tentam usurpar da liberdade Sem saberem ao certo se estão no caminho Uma parcela da sociedade andando às cegas Um cabo de força sendo puxado dos dois lados E uma mosca zumbindo em meus ouvidos Como se não tivesse mais nada no mundo. Insistem nos números errados E não tocam mais as músicas de outrora As mesmas que o fazia dormir o sono tranquilo da existência. Cale-se! Gritam nas penumbras Tentam expulsar os demônios escondidos E eles apenas riem de toda essa confusão Nem precisaram fazer muita coisa E divertem-se com as injúrias e blasfêmias Proferidas pelos líderes religiosos. A silenciosa madrugada da humanidade É solitária e sem sentido algum Até mesmo para as cobras e lagartos espalhados Nas moites dos quintais. Cale-se! Outra vez ouço o brado Mas, como posso calar-me se as palavras fervilham Minha mente não tem sossego Minha voz ecoa na madrugada E vejo ouvidos atentos a esse lamento Abordagens secretas vistas por lentes poderosas Os segredos mais ocultos da humanidade. Seja o que for vai acontecer Não há mais como voltar atrás no que foi feito Uma catástrofe anunciada Um drama encenado Na trágica história humana. Por que eu não me calei naquela hora Quando ainda tinha chance de sair ileso De todas as acusações que lançaram contra mim? De qualquer forma nada importa mais Se os limites foram rompidos E a liberdade apunhalada pelas costas. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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