
Cena um: do abandono ao perdão
Data 26/08/2021 17:04:32 | Tópico: Poemas
| O abandono guarda o marco primevo das sombras Essa lacuna é o fim e o início em que se preenche A se distribuir como um todo, ao longo dos ciclos É a curva que encerra o círculo, na consequência Mais profunda de toda causa. A ausência é noite É quando todo ódio se multiplica nos quadrantes Qual o gérmen a crescer no ventre da escuridão
O perdão é a cintilância defronte do espelho cru Não traz esquecimento, mas o silenciar da repulsa Para se desdobrar renascido pelo campo crestado Para se tornar o alimento contra todo o desprezo O qual promove a ira interior, apaga pensamentos De autoestima e adere em sua natureza brilhante Perdoar levanta o véu da vingança e a vida segue
Livre das sombras é hora de recomeçar o caminho Iniciar o duplo movimento sem a limitação do caos Essa forma aliciadora de rígidos e frios contornos Que se apoia no princípio do conflito para o nada Chegou-se a hora de abster a existência coagulada Perceber o horizonte e seguir a vida nessa direção Esquecer o rancor e a ausência na maior distância
Aquele que é capaz de perdoar, presta o bem a si Pode ir, liberto das sombras, como num dia de sol
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