
O último trem
Data 25/08/2021 13:24:57 | Tópico: Poemas
| Tênues imagens respiram no ar rarefeito da minha memória Que conspiram silenciosamente a parecer que de fato as vejo Não como miragens ou ficções que são, mas reais e presentes Tudo acontece categoricamente contra uma nova distância De seres que nunca estiveram presentes, todavia são um só No outro lado da rua as pessoas transitam, inscientes a tudo Na gare da imaginação o trem já embarcou seus passageiros Os trilhos dessa estrada de ferro seguem a direção dos olhos Fixos no sonho adiante, mansos, perdidos na distância azul Todos os viajantes cada um sentado no seu lugar, soa o apito A música toca suave nos vagões preenchendo-os de nostalgia As horas impulsionam, discretas, os ponteiros de meu relógio E a lua, completando o cenário, traça seu arco no céu noturno Brancas nuvens leves que imitam ovelhas sob a prata do luar As frases que nunca foram ditas amordaçam minha coragem Desembarco na estação da desesperança com todas as malas Meu trem segue deixando um rastro de fumaça branca no ar Minhas imagens e miragens se vão com ele sem dar um aceno Aos poucos calam no silêncio dessa plataforma sempre vazia Quantos trens haverão de partir até ter meu coração de volta Prendo a respiração e as lágrimas. A sina do poeta é ser assim.
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