
Agosto
Data 31/07/2021 23:11:33 | Tópico: Poemas
| Onde posso eu encontrar a tua meninice de antigamente? Saudade, quando a palavra tempo falava só do calendário Agora inscreve árduas palavras mortas e áridos caminhos E a manhã que se queria azul, nasce cinza, despida de cor A aurora se faz muda, submersa, afogada em conjecturas Num canto amargo, que omite palavras que falem de amor Esta vida se exaure tão ligeira como a ventania das tardes Chega-se o tempo de agosto, do cão raivoso, do desgosto O silêncio impera nestas infecundas esperas intermináveis Em que o verbo não frutifica e amar é sinônimo de perder A grama seca pelas geadas esconde lembranças primaveris Do odor da bergamota, de amores tão breves quanto voar Nas palavras tortas, hoje meus versos, outrora iluminados Só restaram as despedidas, rios que não desaguam no mar
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