
Repouse, princesa
Data 17/07/2021 01:21:48 | Tópico: Poemas -> Dedicatória
| Até assistir ela dormir me traz paz, como pode? Tão quietinha, tão segura, velejando em sonhos Como não dedicar mais e mais? Tenho tanta sorte Poder vê-la feliz do meu lado só me motiva com os planos Ficamos tantos anos longe, e continuamos fortes E, quando nos reencontramos, caímos em prantos Tamanha falta que ela me causou, que escrevia em cortes A solidão estava me degustando todos aqueles anos Agora a tenho perto de mim, como eu poderia pedir mais que isso? Tudo o que tenho feito é viajar em seus beijos, meus queridos vícios.
Enquanto caminhávamos pelas pedras da minha cidade, a perguntei Se o sentimento do passado a acompanhava ainda hoje A resposta veio junto de um abraço, e um suspirante "mô", não aguentei Apaixonei-me mais por ela, aquele aperto que ela me deu, me levou e me trouxe De um conto ao mundo, de um mundo a uma fantasia de ogros e princesas, sonhei Acordado, em pé, bem ali, na praça em que outrora eu caminhava tristonho sem ela Flores, chocolates e dengo, como ela adora isso, uma bonequinha de porcelana que nunca ousei desejar Mas, aqui estou eu, escrevendo enquanto a admiro dormir poucos passos de mim Desejo, do fundo do meu coração bobo, que fiquemos juntos até o meu fim.
Acho que eu entendi o motivo de tamanha distância entre mim e você, querido caderno Comecei esses meus textinhos por causa dela, e me ausentei pelo mesmo motivo Como poderia pegar um papel para escrever sobre o amor, enquanto o mesmo estava fervendo? Amei, amo, a amarei para todo o meu sempre, mesmo que em algum momento eu me encontre abatido Tristonho, inativo, ainda pegarei a caneta para escrever sobre meu amor pela moreninha que amo a tempos Estarei criando dedicatórias para aquele sorriso que me cativa enquanto espanta os dias sombrios.
Pensando bem, creio nunca tê-la feito uma serenata com teu nome Medo dela encontrar e ficar zangada? Talvez Esse pode ser o momento de homenageá-la em versos o quanto antes Mas, como formar palavras sem elogiar e enfeitar várias vezes? Já cantarolei para ela, Já somei lembranças em fotos em polaroide Difícil não me apaixonar ao pegar o celular e olhar para a tela Vê-la beijando, e marcando minha bochecha, se eu falar o quanto ela me morde...
Nunca sofri para escrever enquanto a morena repousava em meus pensamentos Sempre surfei entre memórias em aventuras, claro, sempre próximo ao porto Perder-me era algo até comum, também, como não iria mais ao fundo tão intenso? O oceano que ela me presenteou eu nadei, me afoguei e resgatei, aos poucos, Aquele sentimento que borbulhava de amor no passado, e que hoje, me deixa propenso A amá-la mais, a desejá-la mais, tudo a mais, sempre, Enquanto apreciamos o nascer do sol, ao fim do porto, no cais.
Mesmo que algumas de minhas rasuras me amedrontem ainda Várias se tornaram sinfonias tão, mas tão queridas Pena que ela nunca chegou a ler todas elas, pena, espero que ela me entenda Então, quem sabe um dia, eu não as revelem, afoito como só, talvez um dia Enquanto estamos aqui, vou apenas apertá-la, fazer cócegas até ela chorar Ou melhor, vou me declarar ao pé de seu ouvido e, em seguida, afogá-la em carinho Ah, caderno, o que posso falar? Culpa do amar, não quero mais perdê-la e ficar sozinho Quero sonhar de olhos abertos, ao fundo um arco-íris, embelezando ainda mais nosso castelinho Ah, neguinha, Vitória, linda, o que mais posso dizer? Sou seu desde o começo, e assim, padeço louco com o seu sorriso.
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