Sonata de fim de tarde

Data 16/07/2021 21:48:13 | Tópico: Poemas

Um pássaro quis emoldurar-se pelo sol; lá ficou por alguns segundos a se fazer tatuagem... depois fugiu em queda livre, para se embrenhar em folhagens.

A tocha vermelha, por mais alguns segundos, agarrou-se no céu, até cair sem forças para o abismo de onde nascem os dias. Estremeci ao presenciar o desmaio como se minha alma também tivesse esmaecido... mas não! Fez questão de se manter forte permitindo que o silencio fizesse a revisão do que não foi acolhido para a sisudez do dia.
Lembrei da indumentária que não se perfilou séria como a ocasião exigia e da boca indiscreta revelando mais dentes do que devia, e, para deixar o dia um pouquinho enlouquecido, deixou escapar, sorrateiro pelos cantos, um canto afluente para se derramar como cachoeira.
Preparação de precipício para a noite escolher se irá mergulhar ou levitar e o que ela decidir estarei dentro, seja para acomodar ou vibrar como as cordas de um violino.



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