
Amarga despedida
Data 29/06/2021 19:07:41 | Tópico: Poemas
| Foi tua ausência cotidiana que me deu os espaços onde escrevo A sala vazia noite afora, o abajur sobre a mesa a iluminar o papel Eu que queria te mostrar as estrelas, o céu coalhado de estrelas Não te deixarei nenhum poema para que guardes ordinariamente Entre as roupas íntimas, na última gaveta do armário da memória Para exibires a inúteis convivas, como se meu verso fosse troféu
O que, porventura, te escrevi, partirá com a brisa da madrugada Os quadros que te pintei, já se resumiram a uma natureza morta Uma lembrança jamais te deixará: a percepção que a vida existia E doerá em ti, mas não quero tua volta, o abandono eu sobrevivi Pela noite imensa, sem teu perfume barato e teu uísque nacional Aprendi a navegar por mares revoltosos entre o pânico e o amor
O som da minha voz era para tua voz, não para tua língua ferina Logo chegará a manhã, para trazer silêncio, calar enfim tua voz Também reaver as estrelas dos ocasos destes poemas descalços Quero dizer que a tristeza que me destes foi transitória e fugaz Não o amor que vivi à tua revelia, secretamente, em meu íntimo Que teu desamor morreu no último amanhecer, na última aurora
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