
noviça em artes d’amar
Data 25/04/2008 22:41:58 | Tópico: Poemas -> Amor
| o bragal donde te teci no tabernáculo de noites amplas - do mais fino do mais alvo do mais branco linho santo - , era azul
[e azul o mar e a divindade da água e azul a porta índigo de madeira acácia de te sonhar sendo sonho e mística liberdade]
o corpo que te ofereci nítido era flor cristal poema verbo brisa e vento limpo labareda dádiva suprema a flutuar por sobre cálice sagrado e, se a pele fulgia na cor púrpura, a alma se buscava tua em odes de ternura carmesim
esta, e que se esvai agora …assim, gota a gota em lágrimas na vidraça por onde as frinchas do novo dia se detêm e não passam…
das sementes que lancei à rudeza do granito subiram aos céus das minhas preces - noviça em artes d’amar, curvada de mãos depostas -, uma a uma, floras, faunas, frutos, contas finas e lágrimas (tantas) com que te chorei na mansidão dos dias de noites sempre viúvas
e as sementes são rochas, velhas arcas aonde, telúrica, a madre terra guarda linho límpido em que bordo o monograma do teu nome neste vale em que, em lepra exangue, morro e te divinizo no fogo de minha pele em feição tatuada de querubim.
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