
De frente para o amor
Data 21/04/2021 17:51:35 | Tópico: Poemas
| Não deixes Que te convença
Não te demovas Por mim Ou por alguém
Finca os pés na terra plana com aquele sentimento luminoso Com o brilho que tinhas nos olhos quando eras criança Agarra-te à convicção como se fosse uma nuvem preciosa Só tua, guarda-a e não a deixes escapar Faz como os postes elétricos cravados no chão Que se agarram aos cabos, à energia que por eles flui E jamais os largam Deixa que seja este o teu propósito.
Não te apresses Mastiga o tempo devagar Define-te primeiro Antes de mim Antes de todos E digere-te
Depois Não te demores Que o vento não espera pela ave E os girassóis não querem saber das sombras Não percas tempo com as sombras que a vida tem O momento é o sol, encara-o Sempre De frente
E não tentes convencer-me Que isto que digo é verdadeiro Não acredites no que falo Pois já nem eu acredito nos pensamentos que tenho Nas filosofias trabalhosas e elaboradas Que causam cãibras às sensações e adormecem os sentidos.
Não se devia poder estar vivo sem sentimentos Nem ser filósofo, nem ser poeta. É de uma inutilidade extrema Quando um poeta escreve poemas de amor como este Porque os poetas apenas devem escrever sobre temas profundos Em verborreias racionais e lógicas sobre a realidade E depois, cansados da lucidez de estar no mundo Sem filtros, sem sonhos Sem um beijo de língua, sem uns amassos num vão de escada de madrugada Secam por dentro e sem inspiração, deixam de escrever poesia Ficam insensíveis e tornam-se filósofos. Acredita amor No amor que sentes Mas ama-te primeiro e ama-me só depois Como eu sempre te amei E ama, então, depois os outros
Mas, se descobrires Meu amor Que existem mundos Dentro de mundos Ficarás a entender Que dentro de cada mundo que existe dentro de nós Há um prato de caracóis e umas minis geladas Há um fim da tarde, no tasco do Xico à esplanada Onde, de mão dada, vemos juntos o benfica.
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