
fecha a matraca - não fecho
Data 18/04/2021 11:43:29 | Tópico: Poemas
| como é possível este tormento sem conseguir dizê-lo aos 4 ventos os lábios foram-lhe cosidos com farpas mudas e tem um pé colocado no seu rosto pronto a partir-lhe o sorriso que constrói a cada dia para os seus afectos.
não consegue aprender a viver de boca fechada mas, por medo não consegue articular um som que a todos seja agrado.
tem a boca cheia de silêncios mas aprendeu que é feio falar de boca cheia por isso, quando come, mastiga lentamente alguns doces para amparar de outros ouvidos esse travo avinagrado.
tem medo até dos seus sonhos como de quem a sonha morta numa rotunda qualquer...
não esquece algumas (muitas) mazelas mais na alma, que no corpo que este sara depressa já a alma, essa, credora de gratidão vê junto a ela murchar o coração
aprendeu que é vergonha a fraqueza da dor não consegue destravar a maçaneta da porta sempre fechada ao entendimento
por vezes canta, mas a pauta da música já não tem ouvidos para embalar a verdade nem outros para a conceber como ela é, melodia triste e solitária.
mulher frágil, cheia de força nunca é dia de perder a esperança conta um dia depois dois, depois três um após outro, como faca a resolver um amanhã melhor talvez...
um outro céu, outro horizonte talvez outras asas que lhe permitam mais um pouco de azul, e respirar
houvesse algum cientista, com o condão de inventar uma pandemia de ouvidos com alma.
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