
O Pássaro e a Serpente
Data 15/03/2021 16:12:35 | Tópico: Poemas
| O pássaro caiu de seu voo preso no ar com o peso de suas memórias São espectros de uma vida vã cercada de silêncio, de lábios selados Detrás de um sorriso impostor, há um nó de uma tristeza escondida Uma angústia que vibra fazendo o pássaro ter suas formas perdidas A dor tem o dom de nos assaltar deixando perguntas irrespondidas. Atrás desse tremor busco uma figura no escuro, um susto sacudido
Em nome de quem te ergues destes versos a descompor os sentidos Porque me assombras em meio às noites trespassando minha razão Espargindo o enigma, cantando esse canto para meu espanto e fugir Absorvo a ideia que reabriste o livro decidida a continuar a história Estranhos presságios renascem deste transe em tua face escondida Com dedos de agulhas e linhas recosturas milagres em minha carne
O pássaro volta sua face para a negritude da noite e então mergulha Com as asas do pensamento nutre seu voo solidão à imagem que viu Sabe que a razão repele a quem seu coração pressente nessas figuras De obscuras palavras que tomam outros contornos nestes dias ermos Reconstrói antigas promessas e a vida lhe volta a palpitar sob a pele A esperança renasce impregnada de recônditos mistérios e segredos
A magia é o dom de reinventar-me alado para alçar voo noite adentro Sem limites, sem forma, acima da selva de pedra da qual me desprendo Deslizando na quietude do ar sobre a planície verde agora adormecida Fluindo sobre as estradas serpentinas que imitam rios de águas negras Que seguem para além do horizonte onde o vento e a terra se reúnem Um feixe de luz guia os movimentos para o pássaro irromper liberto
As múltiplas horas entre o anoitecer e a aurora escorrem-se lentamente Submerso na minha solidão cotidiana, pulsa a dúvida que não vai calar Signo após signo se reúnem além das sombras, porém não há respostas Porque me queres além do trivial, sabes que não há trabalho de artesão nem formula a moldar esta pedra para despi-la de suas arestas enquanto apenas os silvos da serpente desafiam o silêncio da noite a imitar a vida.
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