
Pudesse Eu
Data 13/03/2021 21:01:11 | Tópico: Poemas
| Pudesse eu, vestir-te com o canto da minha boca, decifrar o enigma da tua voz emudecida, soltar as velas do meu barco, endireitar a proa e velejar em alto mar, sem rumo nem direção.
Pudesse eu, descalçar os pés à indiferença, soltar os passos da negligência e escutar todos os sons que não ouço e morrem no vazio dos dias.
Pudesse eu escalar uma montanha íngreme, fincar os pés sem vertigens, abraçar a vida nas cordas da esperança deixar o grito que trago preso na garganta, cair nas malhas da confiança e tecer um vestido bonito, para celebrar a vida.
Pudesse eu, ser sorriso sem pranto, ser brisa, ser melodia ao vento e dançar com as palavras dentro de toda a alegria que me reverencia a alma.
Pudesse eu, silenciar todos os quereres, lançar-me no espaço das palavras, beber a vertigem dos ecos, esculpir na sede do meu pranto uma escultura com a tua esfinge, para te embalar num abraço demorado, pudesse eu...
Alice Vaz de Barros
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