
O dia em que morri
Data 11/03/2021 23:51:56 | Tópico: Poemas
| Em meio ao silêncio, eu ouvia os passos da enfermeira no corredor Havia o som distante de uma conversa, quando os passos se foram Noite alta, no meu quarto lá estava ela vestida de negro a me fitar Não fosse a enviada da morte, diria que seu rosto era quase sereno Ninguém ao redor, um mesmo nó na garganta que impedia de gritar Antes me impedira de respirar e meu coração parou, então ela veio Com suas longas unhas, seu sorriso de enigma, ela seguia a me fitar Sempre soube que ela viria me buscar, mas não tão cedo, não agora Na minha mente se passava um turbilhão de imagens preto e branco Era a minha história passada como um filme que eu não podia parar E ouvia todas as vozes do passado, os conselhos que nunca escutei Ela ficou a me fitar, impassível, comecei a caminhar na sua direção Todas as imagens que surgem dentro de mim estão tingidas de cinza Minha alma e mais ninguém sabe ao certo o que de fato me conduz Eu sabia o tempo todo que viria o dia que as sombras iam me rodear Todo inferno que eu vi ainda me limita, toda dor ainda me completa Um mundo passou por mim esse tempo e eu assistia do lado de fora Mas, a luz de uma pequena estrela brilhou no fundo do meu coração Assim, ela desviou o olhar e eu vi dentro de mim meu verdadeiro eu E de alguma forma decidi claramente por deixar o passado para trás E eu aceitei a nova vida e agora eu vejo no que me tornei de melhor Toda raiva se foi, toda angústia. Enfim despertei para o que é viver
Nenhuma mágoa, nenhum ato sem perdão, nenhuma discórdia vale a pena nesta vida. A morte não vem antes da hora, você saberá quando.
Esta é uma história real da noite de 15/03/2015.
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