
Arvoredo
Data 15/02/2021 15:39:30 | Tópico: Poemas
| Arvoredo
Melancolia criara raízes naquele lugar. Fixara ali seu ponto de apoio. Varrera muitas vezes o solo empoeirado. Eliminara com fervor sujos pedregulhos. Solidificara no ar cinzentos vestígios. Viveria escondida e entristecida.
Aceitaria seu resignado destino?
Melancolia acreditava que sim. Ficou ali quieta e passiva.
Não contara com o passar do tempo. Com a vida escondida na esperança, a perseguição ferrenha da ciência, o desejo profundo de provocar reações, a busca incansável de reverter o futuro, o grito de socorro contido nos olhares, a revolta advinda do descaso, o horror à pandemia da ignorância, a crença no amor e no respeito.
Foi assim, com tais sentimentos, que melancolia reagiu. Olhou ao redor, viu e enxergou, embora ainda longe, um belo arvoredo. Esboçou sorriso. Correu.
Alexandre Sansone 15.02.2021
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