
A incapacidade monstruosa de se levar algo assim tão a sério
Data 03/02/2021 18:02:55 | Tópico: Poemas -> Intervenção
| Palavras que se perdem ao vento Em noites sombrias e dias tenebrosos Ameaças de monstros noturnos que aparecem nos sonhos E gárgulas que espreitam silenciosamente do alto das catedrais Observam os passos trôpegos de ébrios perdidos pelas ruas E nada há que se possa fazer. O que se pode dizer de tamanha insensatez Nos olhos pequenos de crianças indefesas em meio ao tiroteio Na madrugada fria de uma noite perdida qualquer Que não se pode fazer muita coisa Nem mesmo fechar os olhos por causa das barbáries Que vejo mesmo estando de olhos abertos. Nem adianta pedir para que me cale diante de tudo isso Não posso fazer o que deseja sem prejudicar os indefesos Nem mesmo os ratos dos esgotos estão a salvos de tamanha destruição Que pode se ver nas noites escuras da cidade. Eu ando tão devagar que parece não sair do lugar Onde o sangue mancha as pedras que cobrem o chão Em vielas abandonadas pelas pessoas e animais peçonhentos Sanguessugas de uma geração hipócrita e pérfida Como os dejetos de um banheiro público. Por mais que tento bradar contra o sistema Existe uma incapacidade monstruosa de se levar algo assim tão a sério Que os gritos não se ouvem em ouvidos corrompidos E os gestos não podem ser vistos por olhos perfurados de egoísmo Dessa geração que roubam os sonhos e destroem as esperanças. Parece ser o fim de tudo que um dia foi belo E nada pode ser feito para mudar a situação avassaladora deste mundo Nem mesmo os sorrisos são confiáveis E é preciso esconder o rosto de tantos olhares invejosos Que espreitam o nosso caminhar sincero. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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