
Um Canto de Amor ao Rio de Janeiro
Data 22/04/2008 16:17:12 | Tópico: Homenagens
| Para José Silveira
a maior declaração de amor que tiveste saiu da pena de um pernambucano o gordo Antônio Maria - jornalista cronista e compositor que certa madrugada caiu fulminado por um infarto numa calçada à porta de um restaurante em Copacabana na flor dos 43 anos - resultado de incontáveis croquetes e empadas regados a muito uísque consumidos nas boates e nos botequins nos bons tempos daquela sagrada boemia
"Rio de Janeiro gosto de você... Gosto de quem gosta deste céu, deste mar, desta gente..." - rezam os versos de Maria, em Valsa para uma Cidade
tive o privilégio de beber do teu mar algum tempo tenho saudade trouxe comigo um sotaque ainda às vezes carregado nos esses e erres tenho saudade quantas vezes meus olhos namoraram teu Cristo Redentor à distância de enorme braços abertos convidando-nos a todos para um abraço de paz meu pavor por altura impediu-me amá-Lo de perto mas o Pai sempre perdoa e abençoa o filho mesmo pródigo
lembro-me dos filés no Lama's que não existe mais o luxo da Vieira Souto a pobreza da favela a beleza cheia de graça das tuas garotas hoje não tão garotas assim Meyer Arpoador Leblon as casinhas humildes de Olaria quase todas muito iguais teus arcos da Lapa porta de entrada da respeitável malandragem que eu não conheci os sinos da Candelária de lá partiu a maior manifestação contra o golpe militar a Passeata dos Cem Mil eram intelectuais artistas universitários e a gente comum - todos juntos protestando contra o assassinato pela polícia política do estudante Edson Luís Lima Souto no Restaurante Calabouço de comida barata e muita discussão política Edson Luís nem era militante
amo-te meu Rio! amo-te mais do que possas supor que São Sebastião proteja-te sempre das flechadas que a desigualdade cria e São Jorge teu patrono de fato defenda-te do dragão da maldade saravá São Jorge - Ogunhê! saravá São Sebastião - Okê-Odé! saravá todos os santos santas e orixás saravá Portela minha águia querida Copacabana me engana mas serás eternamente a Princesinha do Mar amo-te meu Rio!
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