
Suspiros
Data 11/01/2021 02:16:12 | Tópico: Poemas
| Mal te conhecia de vista, mas eras exatamente assim que imaginei Hoje és é a palma da mão, mas sempre é como fosse a primeira vez Renasço e sigo intacto na escuridão, com as minhas asas blindadas Por ter descoberto o segredo de te amar sempre pela primeira vez Eu habito as noites selvagens entre nuas veredas da cidade calada Já faz tempo que retirei meu coração do penhor e já posso usá-lo Tudo isso me é fascinante, essa imagem oblíqua às janelas de casa Tu como só tu pudesses ser, até parece não saber que te observo Pela folha entreaberta, que dá entrada a um quarto desconhecido Diante dela me encanto a cortina entremeia o esquadro da janela Entrevejo uma imagem furtiva d’onde irrompe a sua parte-sombra Estendendo-se em encantos de jasmim e quanto mais me aproximo Mais sei que preciso me afastar do abismo e das flores em tumulto Uma fé febril como que equivocada quando te ausentas, faz chorar Enquanto eu desejo que meus pássaros selvagens habitem teu corpo Nestas longas horas a angústia se confundiu um tanto com o sono Em teus olhos de menina flor, me falta razão e salve-se quem puder Eu farei dissolver-me para permitir que te ame com toda intensidade Como homem algum tenha amado uma mulher, ser o próprio fogo que De fogo se fez homem só para poder ter, assim, a liberdade de te amar
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