
Criança Perdida
Data 05/01/2021 22:47:49 | Tópico: Poemas
| Lembro dos dias da infância onde aprendi sobre a resistência Aprendi calar a fórceps com as ameaças diárias de minha mãe O mundo nos adjudica a todo momento lições a compreender E meu aprendizado não veio das surras, flagelos ou dos gritos Veio dessa experiência informal de querer ser-lhe o contrário Para não ser-lhe igual. Sei que vezes é preciso ter pulso firme Mas sem tomar isso no mais rigoroso e frio sentido da palavra Eu menino, deixei de acreditar no amor e fui tolhido pela raiz Tudo isso teve seu custo, deixou fragmentos perdidos em mim Mas só agora aquilo que nunca foi e nem o será jamais, me dói E constitui-se uma realidade de forças primitivas para dominar Concepções vãs que terão de ser constantemente arrancadas Diametralmente diferentes daquilo que entendem os filósofos Meus abstraídos versos neste poema sobre a cidade que dorme São tal a catarse metafísica, como o frágil véu que nos separa Daqueles uns que vivem da malquerença só a vedar e a proibir Este meu poema se faz repleto de desconcertante estranheza É a resposta de uma criança que iniciou uma guerra já perdida E nunca soube o porquê de nada, mas um carretel de mentiras Tendo lhe sido roubado o calor mágico que irrigaria a fantasia
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